“Ver a Copa do Mundo começar em Itaquera é um sonho realizado”

Arena-Corinthians

“Olha só isso! É emocionante ver um projeto como esse se tornar realidade. Desculpe a frase batida, mas estou com a sensação do dever cumprido. Eu perdi a conta das vezes que, como prefeito, discuti ideias e projetos para melhorar e desenvolver a Zona Leste. Quantas vezes fui até lá tratar disso! Hoje, ver uma Copa do Mundo começar em Itaquera é um sonho realizado”.

Diante de uma foto aérea sobre a mesa do escritório de sua casa, o ex-prefeito e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, fala com alegria enorme ao mostrar a imensa área ocupada pelo Polo Institucional de Itaquera, onde se destaca o monumental estádio do Corinthians. Nesta quinta-feira, 12 de junho, quando bilhões de espectadores de todo o planeta estarão diante das imagens da abertura da Copa, Kassab não estará lá. Preferiu ficar em casa, com parentes e amigos, vendo pela televisão o espetáculo que ajudou a tornar realidade.

O ex-prefeito afirma que o processo de construção do estádio ali em Itaquera foi o resultado de uma ação coletiva, envolvendo os três níveis de governo. Mas o próprio Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e responsável pela construção do estádio, costuma ser mais explícito a respeito do assunto.

Ao site de notícias UOL, por exemplo, ele afirmou que o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, teve participação efetiva na construção do estádio. Porém, disse que o principal responsável por trazer a abertura da Copa para São Paulo e viabilizar o estádio foi Kassab. Citou também o ex-governador Alberto Goldman (PSDB).

“O Lula teve participação muito forte no estádio. Ele é conselheiro vitalício do Corinthians. Mas o que o Lula fez foi dizer que, se tínhamos projeto, o estádio precisava ser construído na Zona Leste, para desenvolver a região. O Goldman e o Kassab é que foram me procurar, porque São Paulo não podia ficar fora da Copa. A negociação para os mais de R$ 400 milhões de isenção de impostos, aprovados pela Câmara Municipal, teve participação política direta de Kassab”.

Sanchez, aliás, foi quem recentemente recebeu Kassab em visita ao novo estádio do Corinthians, e se encarregou de apresentar as novas instalações do clube, incluindo auditórios, espaços para a imprensa, salas de aquecimento dos atletas, vestiários, camarotes e o próprio campo, todos com elevado padrão de qualidade, atendendo às condições estabelecidas pela Fifa para os estádios que sediarão jogos da Copa do Mundo deste ano. Para ver como foi a visita, clique aqui.

Durante a visita, Gilberto Kassab agradeceu o ex-secretário de Infraestrutura Urbana da prefeitura paulistana, Elton Zacarias, que o acompanhou na visita, pelo empenho na montagem do projeto de apoio municipal à construção do novo estádio. “Esta obra é a concretização do sonho de trazer para o Corinthians um grande estádio e para o Brasil, e em especial para São Paulo, a maior festa do mundo”, afirmou.

Por sua vez, Andrés Sanchez agradeceu a Kassab (“foi o prefeito que começou tudo isso”) e afirmou que a iniciativa beneficiou não apenas o Corinthians, mas a toda a Zona Leste da Capital. “Essa é a grande virtude do projeto, que está ajudando o desenvolvimento econômico da região, com a atração de novos negócios, e também aumentando a autoestima da população local, que era baixa e hoje está muito mais alta, o que é bom para São Paulo e para o País”, explicou.

Desenvolvimento da Zona Leste

Com aprovação pelo Comitê Organizador Local e pela FIFA do projeto do estádio do Corinthians para receber os jogos da Copa do Mundo, e diante de estudos que indicavam a importância de sediar o jogo de abertura da competição, com enormes retornos turísticos e financeiros para a cidade, Gilberto Kassab, então prefeito de São Paulo, submeteu à Câmara projeto de lei para conceder até 60% do valor investido na obra, limitado a R$ 420 milhões, em Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento, que podem ser usados para pagar impostos municipais como IPTU e ISS, sejam tributos próprios ou de terceiros.

De acordo com estudos, realizados pela consultoria Accenture e pelo escritório de Advocacia e Consultoria Tributária Ademar Fogaça & Associados, com o estádio e a abertura da Copa do Mundo em Itaquera, o PIB da cidade de São Paulo terá um acréscimo de cerca de R$ 30 bilhões em 10 anos, e a Prefeitura deverá arrecadar mais de R$ 1 bilhão em impostos nesse período. A Zona Leste receberá investimentos diretos – públicos e privados – de mais de R$ 1 bilhão.

Como comparação, a Prefeitura de São Paulo investe anualmente entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões para receber o Grande Prêmio de Formula 1. De acordo com estudos contratados pela municipalidade e realizados pela FIPE, para cada real investido no GP há um retorno de três reais, seja em arrecadação de impostos como o ISS, turismo e negócios.

Equipamento público

Além do jogo de abertura, os incentivos municipais para a construção do estádio também estão inseridos no Plano de Desenvolvimento da Zona Leste. Entre as ações desenvolvidas, está sendo instalado ali o Polo Institucional de Itaquera, em área cedida pela Prefeitura, com diversos equipamentos públicos, educacionais, profissionalizantes e do terceiro setor. A área também ganhou o complexo viário de Itaquera, iniciativa conjunta do município e do Governo do Estado, com novas opções de acesso tanto para quem circula entre os bairros como para quem se desloca entre a Zona Leste e o Centro. O complexo recebe investimentos de R$ 548 milhões.

Fazem parte do complexo duas alças de acesso entre a Av. Jacu-Pêssego e a Nova Radial; Nova avenida de ligação Norte–Sul, no trecho entre a Avenida Itaquera e a Avenida José Pinheiro Borges (Nova Radial), incluindo as transposições em desnível sobre as linhas do Metrô e da CPTM; Nova avenida articulando a Ligação Norte–Sul com a Avenida Miguel Inácio Curi; Passagem em desnível (mergulhão) na Rua Dr. Luis Aires (Radial Leste), no trecho em frente às estações do Metrô e da CPTM; Rotatória e alargamento de pista no cruzamento da Avenida Miguel Inácio Curi com a Avenida Engenheiro Adervan Machado; e passarela sobre os trilhos no sentido norte-sul, na altura da estação Artur Alvim do Metrô.

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